18 de junho: Dia da Imigração Japonesa

Numa cidade tão grande como São Paulo, muitas vezes não damos atenção aos pequenos detalhes que se escondem na metrópole. Por quê certos lugares ganham nomes de certas pessoas? Hoje, 18 de junho, Dia da Imigração Japonesa, vamos contar a história de um uchinanchu que deu o nome a um espaço bem ali no centro da cidade.

Próximo ao colorido caótico da rua 25 de Março, há dois mercados municipais: o conhecido Mercado Municipal de São Paulo, o “Mercadão”, que é parada obrigatória para os turistas que visitam a cidade; e ao lado dele, o menos famoso Mercado Municipal Kinjo Yamato.

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Inaugurado em 1936 (3 anos depois do Mercadão), o Mercado Kinjo Yamato tem barracas de frutas, verduras, peixes, doces e flores, vendendo atacado e varejo. Ele não foi projetado pelo ilustre escritório de Ramos de Azevedo, como o Mercadão, mas recebeu uma cobertura que veio da Escócia para ser usada numa estação de trem no Anhangabaú, e que depois foi instalada no mercado. Hoje, a cobertura é tombada como patrimônio histórico.

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Mercado Municipal Kinjo Yamato

Bom, e por quê o Mercado se chama “Kinjo Yamato”? Sabemos que Kinjo é um dos sobrenomes mais comuns em Okinawa. Quem será que foi “Kinjo Yamato”? Qual sua importância?

Ao entrar no Mercado, logo vemos uma pista para as respostas. Há alguns grafitis, sendo que um deles retrata o navio Kasato Maru, que há exatos 107 anos chegava ao Porto de Santos. Por isso, hoje (18 de junho) é comemorado o Dia da Imigração Japonesa. No navio estavam 781 japoneses. Entre eles, havia 325 okinawanos – um era o jovem Yamato Kinjo.

Grafiti do Kasato Maru

Grafiti do Kasato Maru

Nascido em Tsukazan, na cidade de Haebaru, em 1893, Yamato foi morar com os avós após a morte do pai. Um dia, o avô perguntou se o jovem gostaria de imigrar, e ele gostou da ideia. Essa seria uma forma de testar seus limites e juntar dinheiro para seus avós, como forma de agradecimento por terem cuidado dele.

Yamato tinha apenas 14 anos quando saiu de Okinawa, deixando a mãe e os avós. Na viagem de quase dois meses, fez amizade com o também jovem Kamata Gibo. Após a chegada em Santos, todos foram para a Hospedaria dos Imigrantes, e Yamato foi encaminhado para a Fazenda Floresta, em Itu.

Chegando lá, Yamato se decepcionou com a casa, em péssimas condições. No primeiro dia, só receberam a caderneta de compras e o dia acabou. De baixo do céu estrelado, Yamato e seu amigo Kamata, sem saber como enfrentar o que estava por vir, choraram a noite inteira.

Logo, chegou o primeiro dia de trabalho. Yamato e Kamata, em vez de serem enviados para a plantação de café, tiveram sorte e ficaram responsáveis por cuidar e tirar leite das cabras, além de levar água para os trabalhadores da plantação.

Depois de um tempo, Yamato saiu da Fazenda Floresta, passando pela Floresta Campos Neto e pela cidade de Itu, conseguindo saldar as dívidas da viagem. Depois, partiu para São Paulo, pois Kamata estava lá. Porém, sem saber falar português, ele procurava pelo amigo dizendo aos brasileiros: “japonês”, “japonês”. Então, foi levado à casa de um homem chamado Setsuo Yazaki que, vendo o jovem perdido, deu-lhe abrigo e comida. Yamato, agradecido, pensou que um dia gostaria de se tornar alguém capaz de ajudar outras pessoas.

Certo dia, procurando trabalho, Yamato viu um japonês maltrapilho vindo em sua direção. Ao olhar bem, reconheceu seu amigo Kamata, e ambos, sem palavras, choraram aliviados por se reencontrarem e conversaram sobre os últimos acontecimentos. E resolveram procurar trabalho juntos. Eles se dividiram: um pela calçada da direita e outro pela esquerda, caminharam pelas ruas perguntando por trabalho. Assim, Yamato conseguiu emprego no consultório do dentista Artur Alves, na rua Aurora. Kamata também conseguiu trabalho.

O dia de Yamato começava bem cedo. Ele limpava o consultório, recepcionava os pacientes e fechava o consultório às 18 horas. Depois do jantar, ia para o laboratório e auxiliava Alves. Observando o trabalho do dentista, Yamato foi adquirindo habilidades. Um dia, visando aliviar o atarefado chefe, Yamato confeccionou uma dentadura. Alves elogiou a tentativa e permitiu que ele trabalhasse como técnico em prótese dentária.

Após 10 anos ensinando Yamato, Artur Alves faleceu. Anos mais tarde, Yamato contaria inúmeras vezes para sua filha como Alves havia sentido compaixão do jovem Yamato, cuidando dele e se afeiçoando, sendo cordial, instruindo no trabalho e se alegrando com seus avanços. Devido ao árduo trabalho de Yamato, a mãe de Alves lhe deu todos os aparelhos da clínica.

Nessa época, Yamato casou-se com a filha de um imigrante vindo de Kouchi-ken, com quem teve 1 filho e 2 filhas. Para o ambicioso Yamato, ser técnico em prótese não bastava – ele queria se tornar dentista. Estudou português e conseguiu ingressar na Escola de Odontologia de Pindamonhangaba. Para pagar a mensalidade e as despesas do dia-a-dia, Yamato trabalhava sem licença como dentista.

Finalmente, em 1923, 15 anos após sua chegada, Yamato conseguiu seu diploma, tornando-se o primeiro imigrante japonês a se graduar no Brasil. O consultório de Yamato ficou conhecido pela excelência, ganhando confiança de muitas pessoas, inclusive de brasileiros.

Dessa forma, como homenagem a esse que foi um dos pioneiros da imigração okinawana no Brasil, o Mercado Municipal da Cantareira recebeu o nome de “Kinjo Yamato” na ocasião dos 80 anos da imigração japonesa no Brasil. Yamato faleceu um dia antes das comemorações, no dia 17 de junho de 1988, aos 95 anos. Entretanto, seu nome continua na paisagem da cidade, lembrando que há mais de um século chegaram os 325 primeiros uchinanchus, que se tornaram a nossa comunidade de mais de 169.000 pessoas.

Kinjo Yamato

Kinjo Yamato

Fonte:
http://revistataxi.com.br/pages/modArt.php?modId=778

http://www.town.haebaru.lg.jp/kankou/docs-kankou/2015012300039/

「笠戸丸移民未来へ継ぐ裔孫」赤嶺園子

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