Matsuri Daiko promove evento para novos membros

As cinco filiais de São Paulo iniciam as inscrições a partir do evento e continuarão recebendo no decorrer do ano

chimuchurasa 2014 gabriel inamine

Chimuchurasa (2014), por Cris Komesu

O Ryukyu Koku Matsuri Daiko, grupo de taiko do estilo de Okinawa, realizará no dia 27 de fevereiro a Convocatória 2016, evento para receber o público interessado em participar do grupo e conhecer um pouco da sua arte e história. A Convocatória acontecerá na Associação Okinawa da Vila Carrão e contará com a presença das cinco filiais de São Paulo: Carrão (manhã e tarde), Liberdade, Casa Verde, Ipiranga e Guarulhos.

Durante o evento será apresentado um breve histórico do grupo, informações sobre o taikô de Okinawa e sobre os treinos, além das apresentações dos líderes do grupo e dos membros que ingressaram no ano anterior. Para participar do grupo não é obrigatória a presença no evento, basta entrar em contato com uma das filiais para mais informações de como participar. O grupo é aberto a todos os interessados, independente da descendência, porém há a recomendação de idade para novos membros: a partir dos 6 até 30 anos.

Serviço

Convocatória 2016 – Ryukyu Koku Matsuri Daiko

Data: 27 de fevereiro de 2016, das 16h às 17h30

Local: Associação Okinawa da Vila Carrão – Praça Haroldo Daltro, 297, São Paulo – SP

Contato: Sandra – (11) 94787-9895

chimuchurasa 2014 cris komesu

Chimuchurasa (2014), por Gabriel Inamine

Sobre o Ryukyu Koku Matsuri Daiko

Ryukyu Koku Matsuri Daiko literalmente significa “Tambores Festivos do Reino de Ryukyu” e foi fundado em Okinawa, província ao sul do Japão, em 1982. O grupo formou-se pela união de jovens okinawanos em torno do ideal de preservar e difundir a cultura e as tradições locais por meio de manifestações artísticas usando o eisā como referência em suas coreografias. O trabalho desenvolvido pelo grupo mescla músicas tradicionais e ritmos contemporâneos. Atualmente, a matriz do grupo em Okinawa é reconhecida pelo governo devido ao trabalho de cunho social que desenvolve com seus jovens. Além do Japão e Brasil, o grupo possui filiais em diversos outros países: Argentina, Peru, Bolívia, México e Estados Unidos.

Mais informações

http://matsuridaiko-brasil.com/

Everton Arashiro – comunicacao@matsuridaiko-brasil.com

(11) 99303-9049

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Agora vou abrir um parênteses aqui e falar o porquê de estar divulgando este evento aqui no blog. Primeiro, porque recebemos um e-mail de uma querida leitora e colega – que imagino que tenha sido enviado para diversos sites e páginas – pedindo para divulgar um evento. Dissemos que sim, mas ainda não sabíamos que evento era esse. Quando chegaram as informações, bateu um calorzinho no coração. Sim! Porque eu já participei do grupo, há muito tempo atrás.

Hoje, uma coisa central na minha vida tem sido “Okinawa” (o que tem seus pontos positivos e negativos também). E muito disso se deve àquele dia, em meados de junho de 2001, que uma menina de 12 anos entrou no grupo porque achava bonito. E desde então, aprendi muito sobre Okinawa e o okinawano (uchinanchu).

Em contato com o pessoal do taiko, com o Urasaki sensei, com os festivais japoneses e okinawanos é que as coisas começaram a ficar claras para mim. E com um pouco de leitura também (os poucos livros em português sobre Okinawa, do Miyagi e o do Yamashiro). E assim, aprendendo a diferença entre o japonês e o okinawano, é que a palavra “uchinanchu” fez sentido e foi incorporada por mim.

As informações se organizaram na minha cabeça. O som do sanshin (que na minha família é chamado de shamisen – a palavra em japonês), acender senko (incenso) no butsudan (altar para os antepassados), goyá chanpuru, são coisas de Okinawa. Yosakoi soran (tipo de dança), origami e yakissoba não são coisas de Okinawa. E assim por diante, coisas que eram tão próximas foram sendo separadas em caixinhas diferentes. Até o “kaikan”, que eu frequentava desde pequenininha, se tornou a Associação Okinawa de São Mateus – diferente do Aceni, também em São Mateus.

Foi aí também que eu aprendi o que é “ser uchinanchu”. Lembro de que, antes de entrar no palco, a alegria do povo de Okinawa – que está no próprio nome do grupo – era invocada pelo apresentador. “As músicas são alegres”, “o Matsuri Daiko é no encerramento porque anima o público”, “a energia do taiko de Okinawa é diferente” – eram frases que eu sempre ouvia com orgulho.

Mesmo eu não considerando minha família uchinanchu particularmente tão alegre assim, foi isso que aprendi – o uchinanchu é alegre e unido. Uma identidade formada pelos discursos. E foi por aí também, na adolescência, que as dúvidas sobre identidade (brasileira, japonesa, okinawana..?) começaram a aparecer, culminando de certa forma numa busca incessante em aprender mais sobre Okinawa, num processo meio louco que ainda não acabou (só se complicou).

Mas enfim, tudo isso era só pra dizer que a minha experiência no Matsuri Daiko foi maravilhosa – em termos de aprendizado, experiências, viagens, amizades… Foi uma época muito especial pra mim, que só acabou por conta de uma única experiência “razoável” – que (ironicamente) foi treinar na matriz, em Okinawa (2008). As minhas expectativas não foram correspondidas. Já conversei muito com colegas aqui no Brasil sobre isso, e hoje, eu tenho certeza que os membros que treinam lá voltam muito contentes com a experiência.

Por outro lado, foi a saída do Matsuri Daiko (após 8 anos) que me permitiu a dedicação a outras coisas – como o estudo sobre bases militares e história, que no fim culminou nesse blog aqui. Depois de tanto tempo que saí do RKMD, só esses dias, que fiquei sabendo da Convocatória, fiquei um bom tempo lembrando aqueles bons tempos!

E, por último… um pedido! Em 2019 me chamem pra festa de 20 anos do grupo! Pois, na festa de 10 anos (2009) eu não pude apresentar porque perdi os treinos por ter ido pra Okinawa; e na festa de 15 anos (2014) eu também estava em Okinawa. Por isso, se eu ainda conseguir carregar um odaiko, em 2019 estarei lá na ala dos dinossauros!

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